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UM ESTRANHO CONHECIDO

Como esquecer que nada se cumpriu
A promessa do suave tocar, do afago sensual
Do encontro dos corpos nus e ávidos pelo momento da entrega

Como ignorar que os minutos de sonho proporcionados por uma voz grave, séria, continua a ocupar a mente iludida

Foram tantos conselhos, tantas frases de apoio
Que por mais constantes, maior era a vontade de provar daquele pecado

Provou sim, o amargo sabor da decepção que ao mesmo tempo significava o doce deleite do prazer realizado

E ali, tendo a visão daquele corpo friamente egoísta sobre ela, a se saciar, sem a doçura que povoava seu sonho de mulher, teve a certeza de não ter nascido para o prazer...para o amor!

Não merecia estar entregue, frágil e indefesa, a um fantasma tão real que se afastou de um carinho, negou o beijo, cerrou os dedos ao toque da mão que o procurava.

Não merecia que os minutos fossem tão escassos, que a presença fosse tão vazia, que a imagem criada fosse devastada por todos aqueles gestos.

Não merecia descobrir que era uma vítima da insana procura por prazer.

Não merecia entender que não tinha importancia, nem era especial para aquele alguém.
Muito menos merecia escutar a dura palavra que a marcou sangrando

E continua...ainda imatura, por não conhecer o momento apaixonado, por nunca ter uma voz a lhe sussurrar...."te amo....te quero minha!"
Jan/09

MOMENTO

Como raio brilhante entrou naquele ser errante da verdade
Com palavras doces regeu o encanto do impossível ato
Se fez presente no encontro difuso do nada
No destino carente se fez verdade criando laços

Em seu espírito indefeso à volupia do desejo
Mas no âmago da consciencia, tinha a certeza do desfecho
E numa tentativa insana de realização
Desprezou a razão, cerrou os olhos e se entregou

Nada tinha em troca daquela pura maciez do corpo em chamas
Nada tinha a dizer além da frase fria que pronunciava sem perceber

E deixou-a ali, estendida na cama insensível
Única testemunha da entrega sofrega daquele corpo agora impuro,
Que ainda acalenta a dor de desconhecer o toque suave das mãos do amor
Na paixão entre línguas que não se tocaram
E nas mãos que se fecharam ao tão esperado afago

UM POEMA À LIBIDO

Como se inicia um poema sensual?
Que transmita a fogueira interna que domina, impiedosa?
Que aplaque o quente toque das mãos aflitas à procura da saciez?
Que impeça o desejo de se instalar em meio ao turbilhão confuso dos pensamentos?
O despertar torpe da libido e o declínio suave dos dedos ao quente, macio e úmido toque do sexo
Na ondulação lasciva do corpo em desejo
O murmúrio rouco, sem eco do gemido solitário

Assim seria na suavidade da noite, a doce languidez da troca em puro deleite
Se entregaria, completa, despojada de pudores ou timidez
Mas se resolve impune, sofrega e restrita ao supremo instante de extase.

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