UM ESTRANHO CONHECIDO

Como esquecer que nada se cumpriu
A promessa do suave tocar, do afago sensual
Do encontro dos corpos nus e ávidos pelo momento da entrega

Como ignorar que os minutos de sonho proporcionados por uma voz grave, séria, continua a ocupar a mente iludida

Foram tantos conselhos, tantas frases de apoio
Que por mais constantes, maior era a vontade de provar daquele pecado

Provou sim, o amargo sabor da decepção que ao mesmo tempo significava o doce deleite do prazer realizado

E ali, tendo a visão daquele corpo friamente egoísta sobre ela, a se saciar, sem a doçura que povoava seu sonho de mulher, teve a certeza de não ter nascido para o prazer...para o amor!

Não merecia estar entregue, frágil e indefesa, a um fantasma tão real que se afastou de um carinho, negou o beijo, cerrou os dedos ao toque da mão que o procurava.

Não merecia que os minutos fossem tão escassos, que a presença fosse tão vazia, que a imagem criada fosse devastada por todos aqueles gestos.

Não merecia descobrir que era uma vítima da insana procura por prazer.

Não merecia entender que não tinha importancia, nem era especial para aquele alguém.
Muito menos merecia escutar a dura palavra que a marcou sangrando

E continua...ainda imatura, por não conhecer o momento apaixonado, por nunca ter uma voz a lhe sussurrar...."te amo....te quero minha!"
Jan/09

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